4 de julho de 2012

passei para a língua. saturei-me da língua. fujo da língua.
passei para o poético. saturei-me do poético. fujo do poético.
passei para a imagem. saturei-me da imagem. fujo da imagem.
passei para o corpo. passei para o culto irracional do corpo e das suas potencialidades cénicas, o corpo enquanto manifestação privada de solidão tornou-se a minha verdade teatral. saturar-me-ei do corpo. fugirei do corpo.

29 de maio de 2012

peter brook-o espaço vazio

"Conheci um actor que ensaiou Hamlet durante sete anos e nunca o chegou a representar porque o encenador morreu antes da peça poder estrear."

noutros tempos.

noutros tempos
só as almas sabiam morrer
noutros tempos
enrolavas-te em mim para te manteres vivo
noutros tempos
tinha ataques de esperança e melancolia
noutros tempos
o passado não voltava, mas não era o passado que chorava
noutros tempos
se não acontecesse, não acontecia
noutros tempos
roubavam-nos o sexo, mas os amigos davam-nos o amor
noutros tempos
o mito romântico escondia-se nos sonhos e agora nos sonhos vivem pedaços de amor quebrados
noutros tempos
só as almas sabiam morrer, agora também nós sabemos


25 de maio de 2012

rené pollesch-o amor é mais frio que o capital

"B-fico completamente à nora quando oiço toda a gente a falar de amor! devíamos obrigar os capitalistas a finalmente falar de dinheiro, porque estão sempre a falar de amor e da família e a lamentar a perda do meu querido pai!
C-o fim da família é uma tendência humana. e se a minha relação não é produtiva tenho de acabar com ela. uma economia de mercado liberal não se pode dar ao luxo de manter relações não produtivas."

24 de maio de 2012

oliveira martins-economia particular e pública


"Os interesses individuais acham-se muitas vezes em conflito orgânico, essencial, com os interesses públicos (…). Do predomínio absoluto dos interesses particulares, do afrouxamento dos vínculos sociais, nascem as crises de toda a espécie que são a triste comprovação desta verdade de todos os tempos: que o interesse dos indivíduos não basta para manter de pé o edifício de uma sociedade. (…) Quererá isto dizer que os interesses individuais não sejam legítimos, e que se torne necessário esmagá-los em nome dos interesses sociais? Não, por forma alguma. Todo o interesse, lícito moralmente, é legítimo desde que a lei o permite; e seria nefasta toda a lei que paralisasse todo o fomento do instinto do enriquecimento que é fundamental na economia das nações.”

20 de maio de 2012

a fantastic love affair that also produces great work for both of us.

17 de maio de 2012

-podemos ser namorados até chegarmos ao carro?
-podemos, mas só até encontrarmos o carro. os meus planos para esta noite não te incluem.

7 de maio de 2012

provocar o amor em outrem é o desafio.

1 de abril de 2012

tenho medo de acabar. acabo com a idade. vou acabando lentamente no medo de acabar. acabo-me nas paixões, nas dúvidas, nos sonhos, no desespero da existência humana. acabo-me na morte e morro no amor.
no sex, no goodbye.